Ponte

Sociedade intelectual com seus pensamentos surreais

Entre críticas e teorias vai seguindo a academia

Verdades distintas que caem no mesmo gargalo

O apreciador é quem pinta o quadro sem tinta

A ideia inicial é a todo momento desconstruída

Cada olhar que fita a tela vê ali sua experiência na vida

No barulho do silêncio ouço falas e ruídos

Montando um quebra-cabeças de peças subjetivas

Essa vida é um teatro, é mito, é um barato

Cada hora um personagem no palco social

Nascer, crescer e morrer

E nesse espaço descobrir quem é você

Vou tirando as máscaras e me despindo da roupagem

Nua na vida encontro minha verdade

Ela pinta minha retina e delineia meu pensamento

Dá sentido as relações em meio aos precipícios

Como sereia nascemos no mundo

Da magia poderosa das águas aterradas no colapso do submundo

Normas, regras e direitos

Deixamos os neandertais para sermos seres humanos perfeitos

Ora, mas que grande ironia

A perfeição está falida.

PELE

Pele sente,

Macia, molhada, quente

Pele colorida, quanta cor, quanta vida!

Pele na pele, nuas, marcadas

Se tocando numa noite gelada

Da pele pra dentro coração pulsa

Olho de gato, sua pupila abre uma bussola

Sigo teu norte por novos caminhos

Chega você riscando rotas em meus pergaminhos

Aberta em versos, canto nos teus ouvidos

Sussurro meu desejo te pedindo um beijo

Minha pele na sua, um banho de lua

É sutil é visceral

Minha pele na sua desejo fatal.

É fogo

Eu sou prosa, sou poesia, sou um canto de alegria

Sou gente e animal, etiqueta e visceral

Eu penso, logo existo

Mas se respiro me percebo, eu me vejo em um espelho

Esse espelho é a humanidade, que me criou sem caridade

Da pré-história a modernidade, quanta morte, quanta maldade

Agora o mundo é digital, uma panela de pressão

Nesse cozido tem de tudo

Mandinga, rezo e refrão

Somos o outro, somos todos, somos um

Em busca de um norte, tememos a morte

8 horas diárias, numa empresa carcerária

Todo dia é hora extra, a gente só que quer que chegue a sexta

2 dias de vida própria, chama final de semana

Pra dormir, me divertir e me organizar pra voltar pra lama

A vida passa e nem sonhar é mais permitido

É coisa de louco ou doido varrido

Utopia meu pavio ascende

Elemento fogo queima, aquece e cura

Ele me tira dessa tortura

Devaneios de uma yogini

Corpo

Veículo para uma experiência terrena, a vida.

Mesmo na inércia, essa fábrica chamada corpo, não para de funcionar para manter o ser vivo. Investigando para dentro da camada de pele que te envolve, um mundo se apresenta. Respire fundo que a jornada já começou e pegar o trem andando é mais desafiador do que subir nele parado na estação.

O inverno está chegando e as portas frias desta estação te convida ao recolhimento. Abra seu olhar interno.