Eu tô fora de mim
Eu tô fora do tempo
Eu tô fora do contexto
Eu me sinto lenta olhando pra um relógio acelerado
Sempre em frente da tela sem entender os binários
Como um veneno, um remédio caro
Matando os neurônios, ingerindo ideais rasas
Não que eu espere outra coisa dessa vida barata, até porque ela não me ofereceu nada
Minhas esperanças não sei onde deixei, pensando bem nem mesmo esperei
Esperança do quê?
Esperar confiança é como apostar em concurso de prognósticos
De uma sorte sórdida que devora no ócio um destino fadado ao incerto
Seres humanos pensantes, como desinfetantes, vão pulverizando as vidas “desinteressantes”
Tão vil e cheio de desejos, criações inúteis erguem novos impérios
Siga-me, tenho pra ti uma nova identidade
Você vai se sentir contemporânea, ativista, no palco ou na pista
Afinal é isso que importa, não é?
Não seguir o fluxo é sempre desvantagem?
Te criticam, te esnobam, te reprimem
Te chamam de burro, ignorante e se enchem de um orgulho infame
Ser isso ou ser aquilo, um bode expiatório dá sempre um bom penico.