Autorretrato, de repente se abre um hiato
Entre o que vejo no espelho e o meu real semblante
Quantas imagens, quantas nuances
Já não sei quem sou, será que alguém sabe?
Me transformei em tantos alguéns, tantas mentiras e tantas verdades
Pseudoimagem, essa sim é a realidade
Nesse mundo estético que exige uma roupagem
Fui me vestindo e encarando as personagens
Nem sei quantas histórias contei, me perdi e isso é fato
Agora busco no fundo dos meus olhos um ser humano selvagem
Livre dos padrões e das qualidades
Um ser orgânico sem tantas necessidades
Aquela que vem cumprir a missão dentro do ciclo da vida
Sem uma mente sã, sem medos, sem histórias e sem feridas
O universo simplesmente flui, sem querer respostas e sem fazer perguntas
Mas nessa hora já me fundi ao cosmo, serei o sol, serei a lua
Serei minha própria luz, serei o início e o fim
Deuses e Deusas habitam aqui
Toda magia e todo mistério, sem achar uma resposta nesse campo etéreo.